O ser humano é um ser naturalmente confuso, ao contrário do que os rótulos de propaganda sugerem. É por isso que, em determinada época em que cheguei a estudar filosofia, acabei chegando a uma sistemática bastante satisfatória, relativa à definição do homem e de como se formam seus valores, talentos e personalidade em geral. Proponho então, nos parágrafos seguintes, uma reflexão sobre a real natureza do homem.
Pois bem, diversas correntes surgiram, como o determinismo biológico - que diz que o ser define-se por sua natureza. E o determinismo geográfico - que atribui a definição do ser ao ambiente em que este convive. O fato é que, levar a ferro e fogo aquela ou esta corrente de pensamento, é deveras categórico; e é impossível ser categórico quando estamos falando de relações humanas.
Proponho então, a definição por três tipos de fatores: biológico, social e psicológico que, de forma sorrateira, definirei como o que você é, o que os outros querem que você seja/pensam que você é, e o que você pensa ser. Estes são fatores que, invariavelmente, nos afetam diretamente e o principal é saber que nunca são axiologicamente iguais.
Visualizando isto, chega-se a conclusão que a vida é deveras complexa e exige um equilíbrio de tais fatores. Mas isso não acontece: o mundo faz as pessoas colocarem máscaras o tempo todo. Para ser mais preciso: Pessoas fazem pessoas colocar máscaras o tempo todo. Seja no trabalho, com os amigos, parentes. É inevitável não adotar certos padrões de conduta que o fortalecem perante o meio social, mas o enfraquecem enquanto ser.
Religiosos então, são um caso bem caricato: eles agem estabelecendo padrões de conduta, e, principalmente, utilizando de meios que tornam seus dogmas inquestionáveis, a partir do argumento da fé. Fé nada mais é que acreditar em algo, sem ter a menor evidência de sua existência, mas acreditar acima de tudo. Então, muitos se associam a religiões, visando o paraíso. Mas, na verdade, são poucos os que seguem seus dogmas; a maioria continua a usar máscaras na tentativa de ser alguém que não é.
No mundo contemporâneo, visa-se muito a aplicação de rótulos, para qualquer coisa. Tribos urbanas, música, cinema, comida... Enfim, qualquer coisa mesmo! Pessoas abdicam de ser o que são para seguir determinados padrões, que não foram pensados por elas. E o pior: começam a seguir determinadas ideologias que não foram idealizadas por elas. Isso significa que há alguém pensando por uma grande massa. E que, neste ponto, o homem médio não está tão distante assim de suas criações, como as máquinas.
Não é preciso ir longe para perceber que o ser humano cada vez mais, pensa menos. Blogs já foram alvo de críticas por serem rasos quanto ao seu conteúdo e, na maioria das vezes, escrito por pessoas não especializadas. Pois passa-se um tempo, o twitter (um mini-blog) vira moda, e desbanca os blogs tradicionais. Hoje, o que vem dominando são os videocasts. Ou seja, agora ninguém mais precisa ler nada. Escrever errado na internet é coisa do passado, pois hoje nem se escreve mais! Avanço ou retrocesso? Se o assunto for tecnologia, certamente é um avanço; mas é um retrocesso do ponto de vista do conteúdo, que torna-se cada vez mais raso. Parecemos ser escravos de nossas próprias praticidades.
O último parágrafo é sempre reservado a uma conclusão. Pois bem, se eu tivesse uma solução sobre tal problemática, engarrafava e vendia. O fato é que, o cotidiano nos faz priorizar o lado social em detrimento das próprias vontades. O ser humano precisa de aprovação o tempo inteiro. E não é diferente comigo, só porque escrevo este texto.
- Você não é o que você tem;
- Você não é onde você mora;
- Você não é o time de futebol pra quem torce;
- Você não é a sua religião;
- Não é a música que ouve, nem o livro que lê.
Essas associações, como as que exemplifiquei acima, são perigosas: elas fazem com que você deixe de pensar por si, para seguir um dogma qualquer, baseado em um padrão de comportamento qualquer, que você definitivamente não é responsável. É, no máximo, apenas mais um tijolo na parede.Talvez isso explique os altíssimos índices de depressão e enfermidades de nosso tempo. Olhar um pouco mais pra si e deixar de lado as máscaras, talvez seja uma solução. Pois é graças aos que fomentam esse sistema, que vivemos em um mundo tão mesquinho e focado em dinheiro. E ninguém nasce assim: é o meio que forma o mal indivíduo.
"O homem nasce naturalmente bom, a sociedade é que o corrompe".
- Jean-Jacques Rousseau.
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segunda-feira, 24 de maio de 2010
terça-feira, 11 de maio de 2010
Ser cult é ser cu
O cult é um ser que vai na contramão de tudo. Também conhecido como pseudo-intelectual, ele despreza qualquer tipo de legítima manifestação popular. Não assiste TV, reality-shows e ouve Radiohead, Chico Buarque e Los Hermanos, na fé de que isso é um som inteligente. Admira filmes de arte, principalmente os europeus, e critica sistematicamente as produções Hollywoodianas.
Ele tem respostas para tudo, apesar de não ter vivido quase nada; mas acredita em ter aprendido tudo nos livros, na filosofia de Kafka, Proust e nas poesias que lê. Em consequência disso, ou torna-se um grande utópico, defensor de uma causa ou surte do efeito contrário: torna-se um desacreditado. Invariavelmente, torna-se um chato.
Por tanto, acredita estar em um nível cultural mais elevado que o resto da massa, apesar de, na maioria das vezes, ser um fodido, pois cultura não dá dinheiro pra ninguém.
Para o cult, modismos são desprezíveis. Todos. Apesar de ser cult ser também estar na moda.
Um cult pode estar bem ao seu lado, neste exato momento, vivendo em um mundo só dele. E ele te despreza.
Cult não começa com 'cu' por acaso.
Ele tem respostas para tudo, apesar de não ter vivido quase nada; mas acredita em ter aprendido tudo nos livros, na filosofia de Kafka, Proust e nas poesias que lê. Em consequência disso, ou torna-se um grande utópico, defensor de uma causa ou surte do efeito contrário: torna-se um desacreditado. Invariavelmente, torna-se um chato.
Por tanto, acredita estar em um nível cultural mais elevado que o resto da massa, apesar de, na maioria das vezes, ser um fodido, pois cultura não dá dinheiro pra ninguém.
Para o cult, modismos são desprezíveis. Todos. Apesar de ser cult ser também estar na moda.
Um cult pode estar bem ao seu lado, neste exato momento, vivendo em um mundo só dele. E ele te despreza.
Cult não começa com 'cu' por acaso.
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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Politicagem e instinto coletivo
O ano começa tenso nos noticiários. Enchentes e nevascas tomam conta dos mais variados meios de venda de exploração da tragédia alheia comunicação pelo país. Em Angra dos Reis, a contagem do número de corpos torna-se mais importante do que mobilizar soluções pontuais aos problemas, que agora são grandes na região. Enquanto isso, o telespectador lamenta. Ao menos, até o momento da primeira colherada no jantar.
O fato é que nosso planeta está adoecendo aos poucos. Convenções que mobilizam grandes líderes mundiais para tratar de temas que envolvem essas questões, não chamam a menor atenção da mídia sensacionalista. Eles querem mais é ver o circo pegar fogo. É difícil admitir isso, mas há aqueles que torcem pela tragédia.
Sabendo agora que a mídia só se manifesta em questões que envolvam comoção popular e, consequentemente, lucro, quais os meios que temos para mudar esse pensamento e fazer algo de bom por nós mesmos? Política. Mas aqueles, que deveriam ser os agentes da transformação, acham política chato. Eu vos digo: Todos nós fomos "programados" durante anos para achar política chato. E isso é um pensamento coletivo que interessa a quem está no poder. Os deputados de Brasília, andando em seus carros importados e comendo em restaurantes caros, que vos digam!
O fato é que todas as coisas perderam seu significado, para girar em torno do mercado. Nem a data de nascimento de Jesus Cristo foi poupada disso. Nós deixamos de sentir e passamos a consumir tragédia, comédia, amor, louvor. E é triste ver como nos tornamos operários desse sistema. Mas não se esqueçam, o Carnaval está aí, hein?
O fato é que nosso planeta está adoecendo aos poucos. Convenções que mobilizam grandes líderes mundiais para tratar de temas que envolvem essas questões, não chamam a menor atenção da mídia sensacionalista. Eles querem mais é ver o circo pegar fogo. É difícil admitir isso, mas há aqueles que torcem pela tragédia.
Sabendo agora que a mídia só se manifesta em questões que envolvam comoção popular e, consequentemente, lucro, quais os meios que temos para mudar esse pensamento e fazer algo de bom por nós mesmos? Política. Mas aqueles, que deveriam ser os agentes da transformação, acham política chato. Eu vos digo: Todos nós fomos "programados" durante anos para achar política chato. E isso é um pensamento coletivo que interessa a quem está no poder. Os deputados de Brasília, andando em seus carros importados e comendo em restaurantes caros, que vos digam!
O fato é que todas as coisas perderam seu significado, para girar em torno do mercado. Nem a data de nascimento de Jesus Cristo foi poupada disso. Nós deixamos de sentir e passamos a consumir tragédia, comédia, amor, louvor. E é triste ver como nos tornamos operários desse sistema. Mas não se esqueçam, o Carnaval está aí, hein?
sábado, 14 de novembro de 2009
"E parece que foi ontem..."
Nunca pensei que um dia eu fosse citar a frase do título com tanta propriedade. Não muito tempo atrás eu era apenas um moleque que tinha idéias e planos mirabolantes para mudar o mundo, e cá estou aqui, praticamente terminando um curso superior e me preparando para ser mais um no mundo dos engravatados. É o ciclo natural das coisas: eu quero casar, ter filhos, casa própria, carro, tv e todas essas coisas que a sociedade nos impõe como importantes. Porém, ao mesmo tempo, representa uma lenta morte de todos os meus ideais. A realidade é, de fato, o túmulo das ilusões.
Mas chega uma hora que só ideais não bastam. E você descobre que no mundo nada é ideal, muito pelo contrário. Amores, amigos, família... Nada é tão linear e planejado como pensamos ser. É aí que você descobre que amar - em lato sensu - é mais do que achar o perfeito: é encontrar em cada imperfeição algo ao qual você se afeiçoa. E quando encontra isso, você deixa de ser um reacionário, e passa a ser guiado por interesses de seu meio.
Como diria Roger Waters: "All in all it's just another brick in the wall". Mas, nesse caso, e somente neste caso, os fins justificam os meios.
Mas chega uma hora que só ideais não bastam. E você descobre que no mundo nada é ideal, muito pelo contrário. Amores, amigos, família... Nada é tão linear e planejado como pensamos ser. É aí que você descobre que amar - em lato sensu - é mais do que achar o perfeito: é encontrar em cada imperfeição algo ao qual você se afeiçoa. E quando encontra isso, você deixa de ser um reacionário, e passa a ser guiado por interesses de seu meio.
Como diria Roger Waters: "All in all it's just another brick in the wall". Mas, nesse caso, e somente neste caso, os fins justificam os meios.
domingo, 6 de setembro de 2009
A democracia na República das Bananas
Confesso que me espanta tanta repercurssão em relação à crise do senado. Será que alguém realmente pensava que a casa estaria em boas mãos no comando do general Sarney e com ilustres presenças do passado negro do Brasil como Fernando Collor de Melo? Ninguém lembra do confisco das poupanças? Da instabilidade e dos índices de inflação astronômicos?
Sempre que episódios como estes ocorrem, há uma certa mobilização em meio aos críticos, artístas e alguns gatos pingados, oriundos da classe média, para que soluções pontuais sejam tomadas. Conseguindo isso (ou não), nas próximas eleições a democracia coloca no poder, novamente, os mesmos representantes, recomeçando o ciclo.
Do lado que ninguém mostra e ninguém vê, há o cidadão que vive em condições precárias e mal tem acesso aos serviços básicos para subsistir, como saúde, educação e segurança. É ele que vende seu voto por um prato de comida. O pior de tudo é o fato de ser impossível recriminá-lo por isso. Como zelar por um Estado que não se faz presente na sua vida? Como preocupar-se com política, ou com qualquer outra coisa, quando o que mais passa é frio e fome? Seu cotidiano já é deveras desesperador para manter qualquer tipo de outra preocupação.
Nosso presidente, Lula, apoiado por um forte trabalho de marketing, conseguiu associar sua imagem à imagem do povo. Nunca antes na história deste país (sic!) um governante teve tanta identificação com seus governados. Isso abre um largo caminho para a execução de políticas sociais que, em muito, remetem ao populismo. Fome zero, bolsa família, Pro-Uni, política de cotas raciais... São, além de políticas de ajuda, formas de ganhar um eleitorado sempre renegado pelo governo das elites, mas que, na república das bananas é numerosíssimo, infelizmente.
Não escrevo contra as políticas sociais, vejam bem - elas são mais que necessárias, pois a fome não espera - mas há de haver há consciência que só isso não basta, e que não existe nenhum planejamento consistente a longo prazo para a solução destas questões. O planejamento não existe, pois soluções a longo prazo não interessam quando seu prazo de governo é de apenas 4 anos.
Enfim, vejo a necessidade de implantar, em conjunto com tais medidas, um projeto de base para garantir o acesso de todos os cidadãos à, pelo menos, os serviços mais básicos para a sobrevivência. O ESTADO é o único responsável por isso, e, por sua incompetência, assistimos ao crescimento do poder paralelo.
Caso não se tome nenhuma medida neste sentido, continuaremos a ter nossos representantes escolhidos por aqueles que são completamente influenciáveis por sua (falta de) condição. E assim se mantém a nossa democracia de fachada.
Sempre que episódios como estes ocorrem, há uma certa mobilização em meio aos críticos, artístas e alguns gatos pingados, oriundos da classe média, para que soluções pontuais sejam tomadas. Conseguindo isso (ou não), nas próximas eleições a democracia coloca no poder, novamente, os mesmos representantes, recomeçando o ciclo.
Do lado que ninguém mostra e ninguém vê, há o cidadão que vive em condições precárias e mal tem acesso aos serviços básicos para subsistir, como saúde, educação e segurança. É ele que vende seu voto por um prato de comida. O pior de tudo é o fato de ser impossível recriminá-lo por isso. Como zelar por um Estado que não se faz presente na sua vida? Como preocupar-se com política, ou com qualquer outra coisa, quando o que mais passa é frio e fome? Seu cotidiano já é deveras desesperador para manter qualquer tipo de outra preocupação.
Nosso presidente, Lula, apoiado por um forte trabalho de marketing, conseguiu associar sua imagem à imagem do povo. Nunca antes na história deste país (sic!) um governante teve tanta identificação com seus governados. Isso abre um largo caminho para a execução de políticas sociais que, em muito, remetem ao populismo. Fome zero, bolsa família, Pro-Uni, política de cotas raciais... São, além de políticas de ajuda, formas de ganhar um eleitorado sempre renegado pelo governo das elites, mas que, na república das bananas é numerosíssimo, infelizmente.
Não escrevo contra as políticas sociais, vejam bem - elas são mais que necessárias, pois a fome não espera - mas há de haver há consciência que só isso não basta, e que não existe nenhum planejamento consistente a longo prazo para a solução destas questões. O planejamento não existe, pois soluções a longo prazo não interessam quando seu prazo de governo é de apenas 4 anos.
Enfim, vejo a necessidade de implantar, em conjunto com tais medidas, um projeto de base para garantir o acesso de todos os cidadãos à, pelo menos, os serviços mais básicos para a sobrevivência. O ESTADO é o único responsável por isso, e, por sua incompetência, assistimos ao crescimento do poder paralelo.
Caso não se tome nenhuma medida neste sentido, continuaremos a ter nossos representantes escolhidos por aqueles que são completamente influenciáveis por sua (falta de) condição. E assim se mantém a nossa democracia de fachada.
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009
"É preciso saber usar as armas do inimigo..."
Pois é essa a frase que venho utilizando ultimamente para quando, de tempos em tempos, tenho de prestar contas com a minha consciência. Não de forma leviana, como um auto-indulto, mas por acreditar sinceramente e apaixonadamente em uma filosofia de vida. Pensem vocês: Que valor teria a honestidade caso não existisse a traição? O que seria o amor sem o ódio? Quanto maior o contraste de valores, maior a intensidade do choque que ele provoca, seja para o bem, seja para o mal. Quando não se conhece o salgado, o doce não é tão doce. Perde-se o parâmetro, e logo, a razão.
Muitos se apoiam na moral como justificativa para o próprio comodismo - há um tempo atrás, eu diria que são todos - hoje, não sei. Aliás, descobri que sei muito pouco. Aquele que não sabe o que quer, e, quando sabe, nunca encontra o meio certo pra se chegar ao objetivo. Por vezes, não me reconheço; não te reconheço. É difícil enfrentar um inimigo quando mal se sabe quem são seus aliados.
Enquanto isso, assisto a glorificação das drogas, sexismo, briga por poder e toda a busca incessante pelo prazer sem nenhum freio moral. Por vezes aplaudo, por vezes repudio, outras participo.
Enfim, desabafei.
Muitos se apoiam na moral como justificativa para o próprio comodismo - há um tempo atrás, eu diria que são todos - hoje, não sei. Aliás, descobri que sei muito pouco. Aquele que não sabe o que quer, e, quando sabe, nunca encontra o meio certo pra se chegar ao objetivo. Por vezes, não me reconheço; não te reconheço. É difícil enfrentar um inimigo quando mal se sabe quem são seus aliados.
Enquanto isso, assisto a glorificação das drogas, sexismo, briga por poder e toda a busca incessante pelo prazer sem nenhum freio moral. Por vezes aplaudo, por vezes repudio, outras participo.
Enfim, desabafei.
domingo, 9 de agosto de 2009
Levando fumo
Com o vigor da lei anti-fumo no estado de São Paulo, o assunto voltou a entrar em evidência na mídia e nas rodas de conversa. Fumar nunca esteve tão fora de moda, pois a população, no geral, aprovou a medida do governo. Até mesmo alguns fumantes concordaram em diminuir com o cigarro para, finalmente, parar de fumar.
Porém, há ainda aqueles que não concordam com a lei e tenho a honra de dizer que sou um deles. Como bom fumante (passivo), vejo as campanhas do governo como papo pra bobo. Eles dizem que a lei não está aí para cercear a liberdade dos fumantes, mas sim para promover um direito a melhor saúde da população. Oras, conta outra, sabemos dos males do cigarro há muito tempo. A indústria do cigarro teme as indenizações milionárias, assim como o governo não dá conta dos atendimentos em seu sistema de saúde - que, diga-se de passagem, não dá conta nem de gripe.
Eu, como legislador, então iria instituir a lei a favor do fim do carnaval. Afinal, o carnaval promove uso indiscriminado de drogas, acidentes de trânsito, alto índice de transmissão de doenças como HIV, sem contar o fato de que várias crianças sem pais são geradas nessa época. Os males são muito maiores que os do cigarro. Afinal, quem fuma, fuma porque quer. Se morrer, meus pêsames. As altas taxas de impostos inclusas no preço do cigarro cobririam tranquilamente as despesas que o governo teria com saúde, sendo destinadas para o lugar certo. Pra resolver o problema de quem não fuma, é só traçar uma divisão no ambiente entre fumantes e não fumantes. Pronto, problema resolvido.
Pode parecer contraditório esse meu texto, já que, há algumas semanas, havia escrito outro criticando a indústria do tabaco. Mas, acima de tudo, sou a favor da liberdade. Hoje só se engana quem quer ser enganado. A informação está bem clara. E lembrem-se: a ditadura não se estabelecer de uma hora pra outra. Essas atitudes cerceiam a liberdade do cidadão. E ele nem percebe.
Porém, há ainda aqueles que não concordam com a lei e tenho a honra de dizer que sou um deles. Como bom fumante (passivo), vejo as campanhas do governo como papo pra bobo. Eles dizem que a lei não está aí para cercear a liberdade dos fumantes, mas sim para promover um direito a melhor saúde da população. Oras, conta outra, sabemos dos males do cigarro há muito tempo. A indústria do cigarro teme as indenizações milionárias, assim como o governo não dá conta dos atendimentos em seu sistema de saúde - que, diga-se de passagem, não dá conta nem de gripe.
Eu, como legislador, então iria instituir a lei a favor do fim do carnaval. Afinal, o carnaval promove uso indiscriminado de drogas, acidentes de trânsito, alto índice de transmissão de doenças como HIV, sem contar o fato de que várias crianças sem pais são geradas nessa época. Os males são muito maiores que os do cigarro. Afinal, quem fuma, fuma porque quer. Se morrer, meus pêsames. As altas taxas de impostos inclusas no preço do cigarro cobririam tranquilamente as despesas que o governo teria com saúde, sendo destinadas para o lugar certo. Pra resolver o problema de quem não fuma, é só traçar uma divisão no ambiente entre fumantes e não fumantes. Pronto, problema resolvido.
Pode parecer contraditório esse meu texto, já que, há algumas semanas, havia escrito outro criticando a indústria do tabaco. Mas, acima de tudo, sou a favor da liberdade. Hoje só se engana quem quer ser enganado. A informação está bem clara. E lembrem-se: a ditadura não se estabelecer de uma hora pra outra. Essas atitudes cerceiam a liberdade do cidadão. E ele nem percebe.
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terça-feira, 4 de agosto de 2009
A arte do mal gosto
Essa semana acompanhei na MTV um debate sobre a restrição dos bailes funk no Rio de Janeiro. Os tais bailes - especificamente os intitulados "proibidões" - foram acusados de serem responsáveis pela disseminação da violência e banalização do crime nas comunidades carentes da cidade. Por sua vez, os defensores do estilo rechaçaram tal ponto de vista, dizendo se tratar de uma afronta à liberdade artística.
Primeiro ponto ao qual quero chamar atenção: Liberdade artística é um direito concedido a quem faz arte. Por mais que se associe música diretamente a arte, quero chamar a atenção para que nem todas as músicas possuem essa conotação. Dizer que uma música que possui como ÚNICO INTUITO defender uma ideologia alheia aos valores da sociedade é arte, significa abrir uma larga brecha para o crime continuar a fazer novos aliados. Afinal, qual meio de comunicação pode ser mais forte que a música que toca no baile do fim de semana em uma comunidade carente?
Não quero parecer mais um moralista aqui, não mesmo. Não me refiro desta forma só ao "funk proibidão", mas o caráter de tais obras me soa como subversivos à arte, que deve ser livre. Músicas religiosas e hinos nacionalistas não são livres. A música, nesses casos, parece apenas um pretexto para chegar a um ponto e defender uma ideia (ou equívoco).
Quero com esse texto provocar uma reflexão: até que ponto um material produzido é arte? Não é difícil chegar a conclusão de que, por vezes, a arte é nociva. Recentemente, em uma exposição de arte, um "artista" amarrou um cão e o deixou falecer à mingua em uma exposição de arte. Aliás, feito que ele realizou por mais de uma vez. Tudo isso fica impune em nome da liberdade artística? O território artístico é muito livre e aberto, inclusive aos mal intencionados. Fica claro, ao meu ver, que a arte necessita de certa regulação. Deixo aqui uma questão a ser desenvolvida no futuro: há meios de construir uma regulamentação sem censura no campo intelectual?
Enfim, seja funk carioca, rock inglês ou exposições de arte moderna. Não importa. O que vale são as boas idéias e o bom senso.
Primeiro ponto ao qual quero chamar atenção: Liberdade artística é um direito concedido a quem faz arte. Por mais que se associe música diretamente a arte, quero chamar a atenção para que nem todas as músicas possuem essa conotação. Dizer que uma música que possui como ÚNICO INTUITO defender uma ideologia alheia aos valores da sociedade é arte, significa abrir uma larga brecha para o crime continuar a fazer novos aliados. Afinal, qual meio de comunicação pode ser mais forte que a música que toca no baile do fim de semana em uma comunidade carente?
Não quero parecer mais um moralista aqui, não mesmo. Não me refiro desta forma só ao "funk proibidão", mas o caráter de tais obras me soa como subversivos à arte, que deve ser livre. Músicas religiosas e hinos nacionalistas não são livres. A música, nesses casos, parece apenas um pretexto para chegar a um ponto e defender uma ideia (ou equívoco).
Quero com esse texto provocar uma reflexão: até que ponto um material produzido é arte? Não é difícil chegar a conclusão de que, por vezes, a arte é nociva. Recentemente, em uma exposição de arte, um "artista" amarrou um cão e o deixou falecer à mingua em uma exposição de arte. Aliás, feito que ele realizou por mais de uma vez. Tudo isso fica impune em nome da liberdade artística? O território artístico é muito livre e aberto, inclusive aos mal intencionados. Fica claro, ao meu ver, que a arte necessita de certa regulação. Deixo aqui uma questão a ser desenvolvida no futuro: há meios de construir uma regulamentação sem censura no campo intelectual?
Enfim, seja funk carioca, rock inglês ou exposições de arte moderna. Não importa. O que vale são as boas idéias e o bom senso.
domingo, 5 de julho de 2009
Propaganda subliminar ou cara de pau?
Mesmo com fortes restrições a propaganda e com uma imensa alíquota tributária em seus produtos, a industria do tabaco continua forte e faturando muito. Já é sabido que, no ínicio da década, foram proibidos anuncios televisivos e impressos fazendo referência a cigarros. A indústria também foi obrigada a colocar imagens de pulmões podres e fetos mortos atrás dos maços. Mas pra tudo se dá um jeito.
A foto abaixo foi tirada por mim, na academia do meu prédio. Note a clara referência da marca de cigarros 'Free' em um dos aparelhos.


A fonte utilizada é a mesma. A única diferença consiste no fato de, no maço, o logotipo estar em italico. O que não impede, de forma alguma, a associação à primeira vista dos dois.
É claro o motivo pelo qual eles investem tanto em esportes. Passa a sensação de algo saudável, mesmo que inconscientemente. A industria do tabaco era a maior investidora da Formula 1. E, parem pra pensar, a corrida tem tudo a ver com o ato de fumar. Passa-se a idéia de que o prazer supera os riscos envolvidos.
Aliás, até hoje a Ferrari possui apoio da Phillip Morris - maior fabricante de cigarros do mundo. Notem que, até hoje, o antigo espaço da Marlboro não foi preenchido. Em países que não fazem restrições à publicidade do tabaco, os bonés da Ferrari com o logo Marlboro ainda circulam por aí.
Carro da Ferrari em 2004 e 2009 respectivamente. Note que os espaços destinados à Marlboro ainda permanecem fazendo referência a marca.


Mesmo anos após a proibição dos anúncios, Felipe Massa, tido no ano passado como um dos heróis nacionais do esporte, continuava a exibir os logotipos da Marlboro em locais onde a legislação permit
ia.
Para a indústria do tabaco e, não sejamos hipócritas, para toda e qualquer instituição capitalista, isso não é propaganda subliminar, tampouco cara de pau. São negócios. Nada pessoal.
A foto abaixo foi tirada por mim, na academia do meu prédio. Note a clara referência da marca de cigarros 'Free' em um dos aparelhos.


A fonte utilizada é a mesma. A única diferença consiste no fato de, no maço, o logotipo estar em italico. O que não impede, de forma alguma, a associação à primeira vista dos dois.
É claro o motivo pelo qual eles investem tanto em esportes. Passa a sensação de algo saudável, mesmo que inconscientemente. A industria do tabaco era a maior investidora da Formula 1. E, parem pra pensar, a corrida tem tudo a ver com o ato de fumar. Passa-se a idéia de que o prazer supera os riscos envolvidos.
Aliás, até hoje a Ferrari possui apoio da Phillip Morris - maior fabricante de cigarros do mundo. Notem que, até hoje, o antigo espaço da Marlboro não foi preenchido. Em países que não fazem restrições à publicidade do tabaco, os bonés da Ferrari com o logo Marlboro ainda circulam por aí.
Carro da Ferrari em 2004 e 2009 respectivamente. Note que os espaços destinados à Marlboro ainda permanecem fazendo referência a marca.


Mesmo anos após a proibição dos anúncios, Felipe Massa, tido no ano passado como um dos heróis nacionais do esporte, continuava a exibir os logotipos da Marlboro em locais onde a legislação permit
ia.Para a indústria do tabaco e, não sejamos hipócritas, para toda e qualquer instituição capitalista, isso não é propaganda subliminar, tampouco cara de pau. São negócios. Nada pessoal.
domingo, 28 de junho de 2009
Michael 'The King Of Pop' Jackson
Polêmicas à parte, Michael Jackson foi o maior ícone da industria do entretenimento de todos os tempos. O garoto que já esbanjava talento desde pequeno no Jackson 5 - assumindo a frente da banda, mesmo sendo o menor entre os irmãos - cresceu e simplesmente reiventou a forma de fazer música. Criou o conceito do videoclipe como uma espécie de curta-metragem em 'Thriller' - álbum que, por sinal, foi o mais vendido da história; criou coreografias complexas e transformou shows de música em espetáculos audiovisuais. Dizer que era um grande compositor e tinha uma voz poderosíssima é mero detalhe perto de tantos feitos.Agora, tratando-se de polêmicas, Michael também foi mestre. Falar das presepadas de Amy Winehouse com as drogas é fichinha. O rei do pop conseguiu mudar de cor, ficar sem nariz, casar com a filha de Elvis, comprar o catálogo dos Beatles, brigar com McCartney, quase jogar o filho da janela, entre tantos outros escândalos.
O cantor era problemático? Era culpado de tantas acusações que fizeram a ele? Não podemos julgar. Mesmo sendo o mais pop do mundo, Michael Jackson era enigmático. E esse era o segredo de tanta especulação sobre ele; afinal, ninguém se interessaria em saber mais sobre alguém que nada esconde.
No final, a única coisa que nos sobra para falar com propriedade sobre o gênio da música/dança/artes, é sobre seu trabalho. Sendo assim, o que restam são aplausos.
Vá com Deus, Michael Jackson.
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sábado, 13 de junho de 2009
Top 5: O underground do pop
Riffs empolgantes, refrões grudentos e altas doses de baladinhas. Parece ser essa a fórmula do sucesso adotada por grandes popstars, que emplacaram no cenário mainstream da música. Porém, nem todos conseguiram o tão sonhado sucesso comercial seguindo essa fórmula. Muitos sobrevivem de seu público selecto ou, até mesmo, chegaram a abandonar de vez a música.
Baseado nisso, elaborei uma lista de cinco álbuns os quais, se não foram injustiçados, ao menos deixaram de ser reconhecidos da forma que mereciam.
5. Jay Vaquer - Você não me conhece
Jay Vaquer é um dos poucos artistas do cenário pop/rock nacional atualmente que apresenta alguma relevância artística em suas obras. É o caso de 'Você não me conhece', que possui letras com alto teor crítico como 'Cotidiano de um casal feliz', que cita pedofilia, traição, e questiona os valores que são definidos como normalidade por nossa sociedade. Apesar de letras fortes, o álbum parece buscar apelo comercial em sua produção; as guitarras aparecem bem tímidas, sem o peso que algumas músicas parecem pedir. Enfim, de qualquer forma, o cd é um oasis no meio do deserto de criatividade no rock nacional.
4. Maria Mena - White Turns Blue
Maria Mena é uma cantora norueguesa bastante jovem, apenas 23 anos; mas nem por isso é inexperiente, já possuindo 5 álbuns no currículo. Neste play, ela demonstra grande sensibilidade artística, ao mesmo tempo que demonstra intimidade com melodias pop. Faixas como 'You're the Only One' e 'Just A Little Bit' possuem grande potêncial radiofônico. Curiosamente, não foram suficientemente exploradas no cenário internacional, sendo assim a cantora pouco conhecida no Brasil.
3. Mark Free - Long Way From Love
Mark Free foi vocalista do 'King Kobra', grupo glam dos anos 80 que, diga-se de passagem também não emplacou. Pura falta de sorte. Os vocais de Mark Free são poderosíssimos e cheios de sentimento. A produção da cd segue à risca a linha pop dos anos 80, repleto de sintetizadores. Vale ressaltar: este foi o único álbum solo do vocalista; pelo menos enquanto homem. Há pouco mais de 10 anos ele mudou de sexo, e hoje se chama Marcie Free.
2. Richie Kotzen - Change
Richie Kotzen é um absurdo. Canta demais e, como se não bastasse, toca demais. Ainda mais: gravou todos os instrumentos do álbum. Kotzen é bastante reconhecido por guitarristas, por ter gravado com Greg Howe e tocado com o Poison, na turnê do Native Tongue. Neste cd, o título Change - em português, mudança - já indica o que estaria por vir. O até então conhecido guitarrista, passa a cantar sobre belas melodias de pop/rock. Para os amantes de bandas como o Audioslave, está aí um prato cheio.
1. Michael Kiske - Kiske
Michael Kiske é talvez o mais famoso vocalista de Power Metal (Metal Melódico), justamente por ter cantado na banda fundadora do estilo, o Helloween. Mas, o que poucos conhecem, é que a carreira solo do vocalista segue uma direção completamente diferente. Neste cd, autointitulado, as guitarras são poupadas em detrimento de harmonias levadas no violão e belas passagens de violino, como em 'The King Of It All'. Para quem gosta de pancada, lembro que o cd segue a direção oposta; despertando sentimentos de serenidade e paz interior. O alemão, neste álbum, parece ter encontrado definitivamente sua direção musical. Um dos cds mais originais dos últimos tempos.
PS. Post originalmente publicado em 30/03, para o Grupo JOR de comunicação.
Baseado nisso, elaborei uma lista de cinco álbuns os quais, se não foram injustiçados, ao menos deixaram de ser reconhecidos da forma que mereciam.
5. Jay Vaquer - Você não me conhece
Jay Vaquer é um dos poucos artistas do cenário pop/rock nacional atualmente que apresenta alguma relevância artística em suas obras. É o caso de 'Você não me conhece', que possui letras com alto teor crítico como 'Cotidiano de um casal feliz', que cita pedofilia, traição, e questiona os valores que são definidos como normalidade por nossa sociedade. Apesar de letras fortes, o álbum parece buscar apelo comercial em sua produção; as guitarras aparecem bem tímidas, sem o peso que algumas músicas parecem pedir. Enfim, de qualquer forma, o cd é um oasis no meio do deserto de criatividade no rock nacional.4. Maria Mena - White Turns Blue
Maria Mena é uma cantora norueguesa bastante jovem, apenas 23 anos; mas nem por isso é inexperiente, já possuindo 5 álbuns no currículo. Neste play, ela demonstra grande sensibilidade artística, ao mesmo tempo que demonstra intimidade com melodias pop. Faixas como 'You're the Only One' e 'Just A Little Bit' possuem grande potêncial radiofônico. Curiosamente, não foram suficientemente exploradas no cenário internacional, sendo assim a cantora pouco conhecida no Brasil.3. Mark Free - Long Way From Love
Mark Free foi vocalista do 'King Kobra', grupo glam dos anos 80 que, diga-se de passagem também não emplacou. Pura falta de sorte. Os vocais de Mark Free são poderosíssimos e cheios de sentimento. A produção da cd segue à risca a linha pop dos anos 80, repleto de sintetizadores. Vale ressaltar: este foi o único álbum solo do vocalista; pelo menos enquanto homem. Há pouco mais de 10 anos ele mudou de sexo, e hoje se chama Marcie Free.2. Richie Kotzen - Change
Richie Kotzen é um absurdo. Canta demais e, como se não bastasse, toca demais. Ainda mais: gravou todos os instrumentos do álbum. Kotzen é bastante reconhecido por guitarristas, por ter gravado com Greg Howe e tocado com o Poison, na turnê do Native Tongue. Neste cd, o título Change - em português, mudança - já indica o que estaria por vir. O até então conhecido guitarrista, passa a cantar sobre belas melodias de pop/rock. Para os amantes de bandas como o Audioslave, está aí um prato cheio.1. Michael Kiske - Kiske
Michael Kiske é talvez o mais famoso vocalista de Power Metal (Metal Melódico), justamente por ter cantado na banda fundadora do estilo, o Helloween. Mas, o que poucos conhecem, é que a carreira solo do vocalista segue uma direção completamente diferente. Neste cd, autointitulado, as guitarras são poupadas em detrimento de harmonias levadas no violão e belas passagens de violino, como em 'The King Of It All'. Para quem gosta de pancada, lembro que o cd segue a direção oposta; despertando sentimentos de serenidade e paz interior. O alemão, neste álbum, parece ter encontrado definitivamente sua direção musical. Um dos cds mais originais dos últimos tempos.PS. Post originalmente publicado em 30/03, para o Grupo JOR de comunicação.
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segunda-feira, 16 de março de 2009
Ditadura cultural
Ontem à noite, a APCM (Associação Antipirataria Cinema e Música) fechou a 'Discografias' - maior comunidade para troca de arquivos musicais do Orkut. Em comunicado oficial - que pode ser acessado neste link - eles dizem que a comunidade ignora 'todos os canais legais de divulgação e uma cadeia produtiva de compositores, autores, cantores, produtores fonográficos e etc.'
Agora, analisemos com calma. Quem é do meio musical sabe que, os artistas em geral, ganham pouco ou quase nada com a venda de CDs; vendas essas que estão cada vez mais em baixa. As gravadoras, então, adotam cada vez mais a política de reter o lucro dessas vendas, fazendo com que a maioria dos artistas sobrevivam apenas de seus shows. Insistem, então, no manjado discurso de defesa cultural.
Mas alguém acredita realmente nas boas intenções destas associações? Eles fazem exatamente o contrário do que pregam. Eu me pergunto, amigos, onde está a cultura que eles tanto falam? Nos cds de pagode, sertanejo e axé que eles vendem? Ou talvez nos cds do King Crimson, Tribal Tech, e para ilustrar exemplos nacionais, Egberto Gismonti e Eumir Deodato? Estes álbuns, meus caros, vocês sequer encontram nas prateleiras das lojas. Se você quiser um disco do Eumir Deodato, terá que chegar ao cúmulo de importar de fora, mesmo sendo ele um artista brasileiro. Cadê a defesa à cultura?
Como todo bom apreciador de música e ouvinte, sempre compro álbuns de meus artistas favoritos, até mesmo quando não existem edições nacionais e é necessário importar, pagando-se um absurdo. Pois bem, já que não distribuem certos cds aqui, me sinto no direito de ouvir antes de efetuar a compra. Sinceramente, vejo as coisas por outro lado: a internet ajuda, e muito, a descobrir novos artistas. Muitos cds, os quais eu adquiri, não teria sequer conhecido, se não fosse pela ajuda da grande rede.
Então, eu questiono: é justo utilizar dos tais meios legais, que só ajudam a incentivar o monopólio dos grandes e massacram os pequenos artistas? Eu penso que não, e acredito ser sórdido utilizar de tal artimanha legal para defender tamanha injustiça.
Enfim, me pergunto então o que as gravadoras estão fazendo, nos ditos canais legais, para divulgar a tal cadeia produtiva de compositores, autores, cantores e artistas, que eles tanto falam. O que eu mais vejo sendo promovido por eles é o descaso com a cultura no Brasil, que insiste em deixar às traças tudo o que temos de bom e original, e vendem porcarias como pagode e sertanejo. Eles precisam mudar o discurso porque, com essas atitudes, eles só agem em defesa aos próprios bolsos. Que assumam isso então. Evitaria nossa perda de tempo com tanta prolixidade e discurso vazio.
Agora, analisemos com calma. Quem é do meio musical sabe que, os artistas em geral, ganham pouco ou quase nada com a venda de CDs; vendas essas que estão cada vez mais em baixa. As gravadoras, então, adotam cada vez mais a política de reter o lucro dessas vendas, fazendo com que a maioria dos artistas sobrevivam apenas de seus shows. Insistem, então, no manjado discurso de defesa cultural.
Mas alguém acredita realmente nas boas intenções destas associações? Eles fazem exatamente o contrário do que pregam. Eu me pergunto, amigos, onde está a cultura que eles tanto falam? Nos cds de pagode, sertanejo e axé que eles vendem? Ou talvez nos cds do King Crimson, Tribal Tech, e para ilustrar exemplos nacionais, Egberto Gismonti e Eumir Deodato? Estes álbuns, meus caros, vocês sequer encontram nas prateleiras das lojas. Se você quiser um disco do Eumir Deodato, terá que chegar ao cúmulo de importar de fora, mesmo sendo ele um artista brasileiro. Cadê a defesa à cultura?
Como todo bom apreciador de música e ouvinte, sempre compro álbuns de meus artistas favoritos, até mesmo quando não existem edições nacionais e é necessário importar, pagando-se um absurdo. Pois bem, já que não distribuem certos cds aqui, me sinto no direito de ouvir antes de efetuar a compra. Sinceramente, vejo as coisas por outro lado: a internet ajuda, e muito, a descobrir novos artistas. Muitos cds, os quais eu adquiri, não teria sequer conhecido, se não fosse pela ajuda da grande rede.
Então, eu questiono: é justo utilizar dos tais meios legais, que só ajudam a incentivar o monopólio dos grandes e massacram os pequenos artistas? Eu penso que não, e acredito ser sórdido utilizar de tal artimanha legal para defender tamanha injustiça.
Enfim, me pergunto então o que as gravadoras estão fazendo, nos ditos canais legais, para divulgar a tal cadeia produtiva de compositores, autores, cantores e artistas, que eles tanto falam. O que eu mais vejo sendo promovido por eles é o descaso com a cultura no Brasil, que insiste em deixar às traças tudo o que temos de bom e original, e vendem porcarias como pagode e sertanejo. Eles precisam mudar o discurso porque, com essas atitudes, eles só agem em defesa aos próprios bolsos. Que assumam isso então. Evitaria nossa perda de tempo com tanta prolixidade e discurso vazio.
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terça-feira, 10 de março de 2009
O casamento do fenômeno
Há um tempo atrás, mas não muito, os jornais destacavam o caso de um famoso jogador de futebol, que foi encontrado em um quarto de motel com três travestis. Nem é preciso dizer que estou falando de Ronaldo, o 'fenômeno', que, meses mais tarde, apareceria em fotografias exageradamente gordo para um atleta, vide foto ao lado. O sentimento de vergonha e frustração foi disseminado entre os brasileiros, afinal, Ronaldo marcou toda uma geração; não só no futebol - onde é tido como o maior craque dos últimos anos - mas sua vida pessoal sempre foi marcada por lindas mulheres e muito dinheiro. A mídia não perdoa, e o garanhão é rebaixado a piada nacional.Pois bem, meses mais tarde, o jogador - já desacreditado na Europa - volta a atuar em seu país de origem, em um grande time que também vive uma fase de recuperação - o grande em torcida, nem tanto em títulos, Corinthians. Apesar de vista com certa desconfiança, a contratação traria, inquestionávelmente, lucros para o clube, ainda que não vingasse no campo; já que ali estava em jogo a marca, mundialmente famosa, do futebolista.
Ele volta a jogar, em um grande clássico - o maior clássico da maior cidade do país. Corinthians x Palmeiras. Entra em campo aos 18 minutos do segundo tempo. A expectativa era grande. O craque faz boas jogadas - dá uma bolada na trave, o que não é exatamente uma novidade para ele - mas enfim, de qualquer maneira, em campo, ele é incontestável, apesar da visível má forma física. Ronaldo tem tanta intimidade com a bola que, por vezes, se confunde com ela no campo.
O jogo caminha para seu final quando, de repente, nos acréscimos, mais precisamente aos 47 do tempo final, ele cabeceia e marca o gol. Nada mais importa. O narrador esquece o jogo e começa a falar dos dramas e contusões vividas por Ronaldo. Seu gol passa a ser o símbolo de sua volta por cima, de sua superação. Seus erros são todos irrelevantes, seu talento está acima de tudo e sua palavra é uma benção para os novos jogadores. Amém.
Fica claro que Ronaldo se transformou em, além do fenômeno do futebol e das presepadas, no maior anti-herói brasileiro do momento. E os jornais esportivos e a mídia em geral possuem um grande papel nisso. Lembrem-se que a TV faz a vida de qualquer ex-BBB parecer interessante; que dirá a do fenômeno.
Muito se falou em casamentos do fenômeno em castelos, mas mal sabem que isso tudo é uma grande fachada pro maior casamento, que já ocorreu. O casamento dele com a mídia que, não fugindo à regra, vive entre tapas e beijos, regados a muito champagne. A vida do vingador dos balofos se transformou em uma novela mais rentável que os dramalhões de Suzana Vieira. Para novelizar ainda mais a vida do craque, só falta o jogarem no meio da casa do Big Brother. E eu não duvido mais de nada.
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sábado, 14 de fevereiro de 2009
Quem é o inimigo então?
Em sua história, o mundo sempre foi marcado por guerras e regimes totalitários. Já tivemos Lênin, Hitler, Fidel e muitos outros. Ainda há resquícios desta, já quase morta tendência, representada atualmente por caras como Hugo Chávez. O mundo agora é diferente. Os grandes líderes perceberam que esses regimes não conseguem se sustentar de forma a prosperar. Assume-se então uma postura democrática, onde, em tese, o povo é então responsável pela escolha dos seus líderes e legisladores. Surgem então o direito às greves e protestos. É a liberdade de expressão. O processo de impeachment, então, passa a ser previsto em texto constitucional.Há quem diga que a democracia é a pior forma de governo excetuando-se todas as outras. Nem sei se as outras são melhores, mas a democracia com certeza é uma grande presepada. Afinal, é historicamente burro confiar decisões importantes nas mãos da maioria. Foi a maioria que mandou crucificarem Jesus Cristo, assim como, nas primeiras eleições diretas, em 1988, elegeu Fernando Collor, que, aliás, continua sendo eleito até hoje para outros cargos. Um viva à decisão popular.
Ao invés de guerras declaradas e teorias de ódio puro, temos agora inimigos invisíveis. O mundo foi tomado pelo terrorismo. É a maior prova da fragilidade do que se convenciona a chamar de poder. Não é possível se preparar, quando não se sabe de onde que vem o tiro. De nada adianta mais tanta ostentação. Nossos castelos são todos de areia.
Por mais que digam o contrário, acredito que o mundo está cada vez mais humanizado. Continuamos sendo oprimidos diariamente ao bombardeio de sensacionalismo e opiniões tendênciosas, jogadas pela mídia em nossos televisores e jornais. Mas nem de longe é comparável com a opressão declarada de tempos atrás. Hoje somos mais livres, e, por mais que possa ser contraditório, o homem assume sua natureza negando-se, talvez por inconformidade com o existencialismo. Fumamos demais, bebemos demais. Assumimos conscientemente o desejo de ficar inconscientes.
Isso me faz pensar que, em tempos de ditadura, que pareciam tão cruéis, na verdade tudo era mais fácil. Pelo menos os papéis estavam mais claros. Sabiamos quem era o inimigo, tinhamos aonde depositar nossas culpas. Hoje não sabemos. Não existe mais bem e mal. O bem e o mal são diferentes faces de uma mesma moeda. Continuamos tomando na cabeça todo dia, pelo inimigo mais covarde que já se teve notícia. Não por sua força, mas porque dele não se sabe nem o nome.
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Presente de Grego
Pra quem não sabe, fiz aniversário no dia 10/02 (parabéns pra mim!). E, como de costume, recebi uma penca de e-mails de sites que sou cadastrado, coisa e tal. Mas um eu achei o máximo. Eis aqui (só clicar na imagem):
É mole?
É mole?
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Mania de grandeza
São Paulo é a maior cidade do Brasil. E, justamente por isso, possui o mérito de ter a maior quantidade de opções de bares, casas noturnas, restaurantes, e tudo mais o que você quiser imaginar. O paulistano é, acima de tudo, exagerado e orgulhoso. Não é modesto nem com o que tem de mais feio. Por isso, nada mais justo que ostentar aquela, que talvez seja a obra mais bizarra que já construiram em algum lugar: o Elevado Presidente Costa e Silva, vulgo Minhocão.Pra quem não vive aqui e não conhece, eu explico. O minhocão é uma via expressa elevada que liga do centro à zona oeste da cidade. Possui 3,4km de extensão e visa desafogar o já afogado trânsito da cidade. O problema é que fica localizado em uma região repleta de prédios, daqueles antigos, geralmente residenciais, em um local onde até os pombos já acordam tossindo pela manhã.
A obra também não é lá das mais bonitas. Aliás, é feia pra caralho. É considerada uma obra de engenharia bruta. Ou seja, uma aberração arquitetônica. E não podia ser diferente, já que foi projetada por Paulo Maluf, o político e engenheiro que, até pouco tempo atrás, vendia idéias como a 'Free Way' e caras como Celso Pitta. Enfim, na certa a verba para os arquitetos foi destinada para uma outra grande obra, talvez um banheiro faraônico, já que, muitas vezes, aqui no Brasil, a vida pública é a extensão da privada.
Mas o que eu acho mais bacana é que o paulistano não sente vergonha de nada disso. É, acima de tudo, um povo que ama a cidade como ela é, mesmo com uma bizarrice dessas no meio. Talvez a obra seja um símbolo da virilidade masculina. Afinal, quando um elevado é conhecido como minhocão, é porque ele não é fraco não.
Ou vai ver o motivo é outro: o paulistano é muito apressado. Neste caso, ele está cagando - se ele for um mendigo, literalmente - para as obras. Dessa forma, deixando de contemplar a cidade em cotidiano. E já dizia o filósofo: "o que os olhos não veem, o coração não sente".
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sábado, 31 de janeiro de 2009
Olha que blog maneiro!

Galera, recebi um selo do blog Prato do Dia (http://taynalu.blogspot.com/), e gostaria de agradecer. É uma chance de haver interação entre blogs que possuem uma identidade em comum, e acredito que toda forma de divulgação honesta é valida.
As regras são:
1- Exiba a imagem do selo “Olha Que Blog Maneiro” que você acabou de ganhar!
2- Poste o link do blog que te indicou.
3- Indique 10 blogs de sua preferência.
4- Avise seus indicados.
5- Publique as regras.
6- Confira se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.
7- Envie sua foto ou de um(a) amigo (a) para olhaquemaneiro@gmail.com, juntamente com os 10 links dos blogs indicados para vericação. Caso os blogs tenham repassado o selo e as regras corretamente, dentro de alguns dias você receberá 1 caricatura em P&B.
Os indicados são:Pseudo Artes - http://pseudoartes.blogspot.com/
I'd Rather Dance With - http://evefelix.blogspot.com
Dé Cheers's Blog - http://livreiniciativa.wordpress.com/
West 4 Up - http://www.west4up.blogspot.com/
Bárbara Farias - http://barbarafarias.blogspot.com/
Star Dust - http://sttardust.blogspot.com/
Letras e Harmonia - http://letraseharmonia.blogspot.com/
Palavras ao Ventos - http://verdadesentrementiras.blogspot.com/
Assunto Popular Brasileiro - http://assuntopopularbrasileiro.blogspot.com/
Who Cares? - http://www.whocaresveiga.blogspot.com/
Novas postagens e novidades em breve.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Mallu Who?
No dia em que completava 15 anos de idade, Mallu Magalhães pediu aos seus familiares que todos os presentes lhe fossem dados em dinheiro. Dessa forma, a pequena-prodígio pôde comprar o equipamento necessário para gravar algumas de suas músicas, cantadas em inglês, e virar sucesso instantâneo na rede. Sucesso esse que rapidamente se expandiu para a mídia impressa e televisão, levando a garota a ser o grande destaque no meio 'indie-hype', que está em alta graças ao sucesso de bandas como CSS (Cansei de Ser Sexy) e Vanguart.Mas Mallu Magalhães é diferente. A menina não só é um sucesso por sua música, mas também por sua personalidade excêntrica, ampliada pelos holofotes televisivos. Mallu alterna entre momentos de extrema infantilidade, à momentos de aparente maturidade intelectual, de forma quase que instantânea. Impressionante. O comportamento, que há tempos atrás seria esquisito, hoje, para alguns, já significa um traço de genialidade da garota. De fato, é tênue a linha que separa a genialidade da idiotisse.
A superexposição feita pela mídia em torno da Mallu, criando rótulos em torno de sua imagem, é algo que, ao mesmo tempo em que potencializa seus gostos incomuns, pode ser bastante nocivo para seu futuro. É bom não esquecer que estamos falando de uma adolescente, que não tem maturidade suficiente para lidar com toda essa pressão que se forma à seu redor. Não sei até que ponto é benéfico para alguém, tão jovem, ler um livro psicologicamente pesado como "Cartas de Van Gogh" - como Mallu declarou ter lido; ou cantar uma música tão densa como "Música Urbana 2" - do Legião Urbana - como cantou no Prêmio Multishow. É um excesso de informação muito precoce ao qual ela é submetida.
Musicalmente falando, a cantora não demonstrou ainda nada que justificasse todo esse reboliço. Ela ainda oscila muito em afinação, o que, em algumas apresentações, chega a ser desastroso. Falta também algum elemento novo em sua música, já que ela não terá 16 anos pra sempre, e toda essa agitação sobre a menina terá, em breve, que se justificar sob elementos artísticos, o que ainda não acontece. Por enquanto, ela é apenas uma menina 'engraçadinha' que faz música 'legalzinha'. Faço ressalvas à produção de Mario Caldato Jr. e à banda de apoio - escolhidas à dedo para o primeiro álbum de Mallu Magalhães - que chegam, se não a dar a consistência necessária, pelo menos a tornar mais apresentáveis suas músicas.
Ao mesmo tempo que é louvável a fidelidade dos fãs à garota, é deveras onerosa a missão que está sendo dada a ela. De repente, alguém que há pouco tempo juntava sua mesada para comprar seus discos, ganha ares, quase messiânicos, de salvadora da MPB. Muita calma. Estamos diante de uma garota acima da média, com um grande potencial, mas que ainda tem muito à provar. E espero que prove. Para o bem da música. Para o bem da arte.
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Créu pra vocês
Eu não sou daqueles que se acham no direito de críticar - com argumentos vazios, só para bancar de espertão - as 'produções artísticas enlatadas' e, muito menos, quem se diverte com elas. Antes de qualquer coisa, acredito que música, cinema, televisão e literatura devem estar, também, à serviço do entretenimento barato. Sim, falo do entretenimento em sua forma mais banal mesmo. Reunir os amigos para assistir um filme pastelão e jogar pipoca na fileira da frente é muito bom. Às vezes, o que mais queremos é apenas aliviar o stress da caótica metrópole. Até o cérebro precisa de descanso.
Mas, como dizia o poeta, tudo o que é em excesso faz mal. E, neste caso, tem gente esquencendo seus cérebros. Coitados. Se fosse possível tirar o cérebro da cabeça, aposto que teriam muitos jogados ao lado de discos de jazz e livros de filosofia, em algum desses pontos que ninguém visita por aí. 'Créu' deixou de ser entretenimento, virou modelo cultural. Para alguns ainda é estilo de vida. E não há como escapar disso: se você não sai dando 'créu' em todo mundo, a vida vem e dá um 'créu' em você. You're in the jungle, baby!
Hoje os maiores fabricantes de artistas são os cirurgiões plásticos. A protagonista é a bunda. E a arte que ela vem produzindo para o mundo é proporcional àquela que ela produz no banheiro. Pensando bem, é genial: é a representação fiel de tudo que mais vem acontecendo por aí.
O fato é que a cultura tem fins muito nobres; nos instiga a pensar, a fugir da alienação imposta pelas longas jornadas de trabalho e da mídia manipulada à gosto de quem está lá em cima. A música no Brasil, por exemplo, foi a porta-voz de diversos movimentos populares. Muitos foram exilados, teve gente que morreu. Mas graças à estes, que impulsionaram o bravo povo, devemos nossa liberdade. Sim, eu devo à eles o ato de escrever aqui hoje.
Enfim, os frutos da alienação cultural não tardam à aparecer: caos nos serviços públicos, assistidos de camarote, por quem mal sabe o que está acontecendo; como se estivessem assistindo à uma partida de rugby, achando tudo chato, mas sem saber porque o jogo para toda hora. O brasileiro está cansado. Mas está tão cansado que mal tem disposição pra se informar do que acontece lá fora. Está descrente de si. Mas, no fundo, ele sabe que a luta é interminável e que o melhor negócio é 'esquecer os problemas' - como tanto prega uma cantora por aí. Mas toda a poeira ainda está lá, debaixo do tapete, conquistando seu espaço; o seu, o meu e o de todos nós.
Mas, como dizia o poeta, tudo o que é em excesso faz mal. E, neste caso, tem gente esquencendo seus cérebros. Coitados. Se fosse possível tirar o cérebro da cabeça, aposto que teriam muitos jogados ao lado de discos de jazz e livros de filosofia, em algum desses pontos que ninguém visita por aí. 'Créu' deixou de ser entretenimento, virou modelo cultural. Para alguns ainda é estilo de vida. E não há como escapar disso: se você não sai dando 'créu' em todo mundo, a vida vem e dá um 'créu' em você. You're in the jungle, baby!
Hoje os maiores fabricantes de artistas são os cirurgiões plásticos. A protagonista é a bunda. E a arte que ela vem produzindo para o mundo é proporcional àquela que ela produz no banheiro. Pensando bem, é genial: é a representação fiel de tudo que mais vem acontecendo por aí.
O fato é que a cultura tem fins muito nobres; nos instiga a pensar, a fugir da alienação imposta pelas longas jornadas de trabalho e da mídia manipulada à gosto de quem está lá em cima. A música no Brasil, por exemplo, foi a porta-voz de diversos movimentos populares. Muitos foram exilados, teve gente que morreu. Mas graças à estes, que impulsionaram o bravo povo, devemos nossa liberdade. Sim, eu devo à eles o ato de escrever aqui hoje.
Enfim, os frutos da alienação cultural não tardam à aparecer: caos nos serviços públicos, assistidos de camarote, por quem mal sabe o que está acontecendo; como se estivessem assistindo à uma partida de rugby, achando tudo chato, mas sem saber porque o jogo para toda hora. O brasileiro está cansado. Mas está tão cansado que mal tem disposição pra se informar do que acontece lá fora. Está descrente de si. Mas, no fundo, ele sabe que a luta é interminável e que o melhor negócio é 'esquecer os problemas' - como tanto prega uma cantora por aí. Mas toda a poeira ainda está lá, debaixo do tapete, conquistando seu espaço; o seu, o meu e o de todos nós.
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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Guns N' Roses - Chinese Democracy (2008)
O novo álbum do Guns N' Roses é um paradoxo. Sua proposta é claramente diferente de tudo que vem sendo feito no rock ultimamente. Mas fica difícil adjetivar de surpreendente um álbum insistentemente anunciado há mais de 10 anos, que tinha mais da metade de suas músicas vazadas na web. É um álbum inovador que já nasceu velho.O GNR também já não é mais o mesmo de outrora. A banda agora conta apenas com Axl Rose, vocalista, de sua formação original. Apesar disso, mantém o nome. Ou seja, é o Guns N' Roses, mas não é bem aquele, e sim outro. Confuso?!
Esquecendo todas as polêmicas e voltando a atenção às músicas, é agradável a sensação ao ouvir Chinese Democracy. Axl Rose mostra que, nos anos de auto-exílio da mídia, não ficou parado no tempo e pesquisou por sonoridades diferentes. Ele amadureceu, o que é um alívio. Seria duro ver um Axl quarentão pulando de saia por aí.
O álbum apresenta momentos apoteóticos mesclados com a modernidade dos loops eletrônios de bateria. Não há como passar batido por faixas empolgantes como 'Shackler's Revenge' e 'Better'. Os pianos também fazem presença marcante em Chinese Democracy, forte herança dos Use Your Illusions
As guitarras deste álbum também estão muito acima da média. Os timbres vão além da velha combinação Les Paul-Marshall, e aproximam-se muito do que vem se ouvindo no new-metal. Com o diferencial dos virtuosos guitarristas que participaram das gravações e proporcionaram solos que, se não são épicos como os de Slash em November Rain, são, no mínimo, de muita competência e bom gosto. Momentos como esse podem ser observados em faixas como 'There Was a Time' e 'Street Of Dreams'.
Por outro lado, as extravagâncias de Axl acabaram por fazer o álbum pecar pelo excesso de produção. Vale ressaltar que foram gastos, em média, 14 milhões de dólares na produção deste, que já é considerado o álbum mais caro da história. Músicas com um grande potencial, como 'Madagascar' e 'Chinese Democracy' poderiam ser melhor aproveitadas com uma produção mais simples, sem tantos efeitos e dobras nos vocais.
Excessos e preciosismos à parte, Chinese Democracy traz uma proposta diferente do que anda tocando por aí, e o faz com muita competência. Se valeram ou não os 14 anos de espera, depende muito de quem está ouvindo. Há até um lado muito interessante nessa história, já que a polêmica faz parte do mundo do rock, e o Guns N' Roses - chefiado sempre por Axl Rose - provou que é mestre nisso. Mas alguém por favor avise ao Axl que já deu. Afinal, ninguém quer esperar mais 14 anos para vê-los tocando ao vivo.
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